Design: Um rebranding pode mudar a identidade da sua marca?
Nos últimos anos, o termo rebranding tornou-se quase sinónimo de mudança visual. A adaptação para logotipos mais simples, tipografias neutras e símbolos reduzidos ao essencial tornou-se numa das principais tendências de muitas marcas, nos diferentes setores. A promessa seria clara: modernizar, tornar a marca mais digital, mais adaptável, mais “atual”. No entanto, aquilo que deveria ser uma decisão estratégica profunda passou, em alguns casos, a ser uma resposta automática às tendências do design contemporâneo — em especial ao minimalismo. A adaptação ao minimalista é mais do que simplesmente a redução de elementos visuais, pois foca-se na essência da mensagem, removendo o “excesso”, onde permanece apenas o necessário.
Em termos de design, isto traduz-se em layouts limpos, utilização cuidadosa da tipografia e cores simples, onde o objetivo é criar designs que se destaquem pela sua simplicidade e eficácia. Um rebranding, quando bem feito, vai muito além da estética. Implica reposicionar a marca, rever o seu discurso, alinhar identidade visual com o seu propósito, contexto cultural e perceção do público. Quando mal executado, faz exatamente o oposto: apaga diferenciação, quebra continuidade e cria ruído onde antes existia reconhecimento. Um exemplo claro desta situação foi: o rebranding da marca Jaguar.
A Jaguar não é apenas uma marca automóvel, é um símbolo histórico do luxo britânico, associado durante décadas a elegância, performance e carácter, que vende símbolos culturais, narrativa e principalmente história. Sempre viveu no equilíbrio entre sofisticação clássica e atitude desportiva – um posicionamento claro, reconhecível e emocionalmente carregado durante anos. O rebranding da marca tornou-se rapidamente num dos exemplos mais falados no design de identidade de marca dos últimos anos, não só por causa de uma simples mudança de logótipo, mas pela forma como essa mudança foi construída e percebida pelo público apaixonado pela marca.
O que a Jaguar apresentou foi uma transformação radical: um novo sistema visual que abandonou o icónico felino, visto como um símbolo de potência, elegância e tradição, em favor de uma tipografia minimalista e de um conceito que a própria marca descreveu com slogans como “Copy Nothing” e “Delete Ordinary”. Este reposicionamento foi justificado internamente como um movimento para preparar a Jaguar para a sua transição para veículos totalmente elétricos e para atrair um público mais jovem e global, mas a execução acabou por ignorar um elemento crucial: a essência histórica da marca e a conexão emocional que clientes antigos e, alguns potenciais, sempre tiveram com ela.
Para uma marca que sempre foi vista com autoridade no mundo automóvel, isto significa que qualquer mudança visual ou estratégica deve equilibrar a evolução com o respeito pelo que a marca sempre representou. Com 90 anos de história, ao cortar elementos centrais da sua identidade visual e focar-se numa narrativa estética que parecia desconectada do produto (por exemplo, uma campanha de apresentação sem mostrar sequer um carro), acabou por chocar uma grande parte da sua audiência tradicional sem garantir adesão de um novo público que pretendia alcançar. O resultado foi uma crise de identidade tão visível que chegou a ser debatida em detalhes pela própria imprensa de marketing e negócios, em que a vendas tem descido desde 2019 até à data do rebranding, 2024.
O minimalismo não é o inimigo. O inimigo é a homogeneização. Num cenário em que cada vez mais marcas parecem iguais, a diferenciação vem da coragem de preservar o que é único, mesmo que isso vá contra a corrente estética do momento. O problema não está no design minimalista em si. Está na ideia de que ele funciona para todas as marcas, em qualquer contexto, independentemente da sua história. E é precisamente aí que algumas marcas falham.
Na Brand22 acreditamos que o verdadeiro papel do design não é apagar o passado para parecer moderno, mas construir futuro a partir de uma identidade sólida. Porque marcas fortes não são aquelas que seguem tendências, são aquelas que continuam a ser reconhecidas quando as tendências passam.
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